| A nascente e suas fontes |

"...o LUME é uma identidade que se reconstrói e revigora a cada trabalho e a   cada reflexão teórica e prática”,  Luís Otávio Burnier

As origens do LUME repousam na experiência do seu fundador Luís Otávio Burnier, em seus anos de treinamento como discípulo de Etienne Decroux e em pesquisas com diversos mestres como Eugenio Barba, Philippe Gaulier, Jacques Lecoq, Ives Lebreton, Jerzy Grotowski e de estudos do teatro oriental (Noh, Kabuki e Kathakali).

Além das pesquisas entre os membros do grupo, os intercâmbios com outros artistas são uma prática constante do LUME. Esses intercâmbios favorecem o contato com outros modos de fazer e pensar a arte, com a imensa riqueza das diferenças e a compreensão mais clara e precisa do caminho que o grupo vem trilhando desde seu início.

Ao longo de sua trajetória, o LUME desenvolveu relações especiais de trabalho com importantes mestres da cena artística mundial: Iben Nagel Rasmussen (Odin Teatret, Dinamarca), Natsu Nakajima e Anzu Furukawa (Japão), Nani e Leris Colombaioni (Itália), Sue Morrison (Canadá), Tadashi Endo (Japão), Kai Bredholt (Odin Teatret, Dinamarca) e Norberto Presta (Argentina).

| A relação LUME-UNICAMP | 

O apoio institucional da UNICAMP foi conquistado com garra e teimosia, tendo o núcleo sobrevivido os primeiros nove anos sem sede própria, emprestando um salão de igreja para o desenvolvimento de suas práticas e tendo as casas dos primeiros membros fundadores – Luís Otávio Burnier, Denise Garcia e Carlos Simioni – como nichos para seus arquivos.

A precária estrutura física e financeira – afinal, eram três pesquisadores dividindo os salários de dois –, não foi impedimento para a criação das raízes técnicas, teóricas e éticas do LUME. Esta estrutura inicial determinou um modus operandi futuro.

O tempo das investigações – de 1985 a 1993 – correu segundo o pulso próprio de uma pesquisa em profundidade e foi quando se consolidou um treinamento de ator primoroso em três linhas de pesquisa: Dança Pessoal, Mímesis Corpórea e Clown e o Sentido Cômico do Corpo, todas elas experimentadas em espetáculos como “Kelbilim, o cão da divindade”, “Valef Ormos”, “Taucoauaa Panhé Mondo Pé” e “Wolzen, um giro desordenado em torno de si mesmo”.

A conquista de uma sede – uma casa alugada na Vila Santa Isabel, pela UNICAMP – em maio de 1994, permitiu a criação de um espaço com intensas atividades culturais em Barão Geraldo, Distrito de Campinas que na época tinha uma população aproximada de 45 mil habitantes.

Entre as atividades até hoje realizadas na sede estão a realização de mostras de espetáculos, workshops e seminários de capacitação prolongados; intercâmbios culturais com a comunidade e demonstrações de processos de trabalho.

O espaço físico adequado possibilitou ao LUME criar uma biblioteca e videoteca para uso de pesquisadores e interessados, criação de novos espetáculos, recepção de artistas-pesquisadores e divulgação do trabalho em diversas mídias.